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A volta de Soledad
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Urariano Mota http://urarianoms.blog.uol.com.br/

Recife (PE) - Em muitos textos publicados no Direto da Redação, no La Insignia, no Observatório da Imprensa, no site Novae, mais de uma vez escrevi sobre as estranhas pauta e notícia na imprensa brasileira. Estranhas, para não usar palavra mais dura. Me pareceu sempre que a notícia no Brasil se escolhe antes da realidade (o repórter sabe as respostas antes das perguntas), apesar da realidade (o editor destaca o contrário do declarado) e, com freqüência, anula por completo a realidade (o jornal publica um outro mundo).

Entendam que as linhas a seguir, apesar do interesse claro e direto deste colunista, ilustram mais um caso. Concedam. A notícia da publicação do meu próximo livro, que em uma notinha curta e envergonhada inseri ao fim da coluna anterior, foi distribuída por minha conta e risco aos jornais de minha terra (Pernambuco, salve ó terra de lindos coqueiros) e revistas. E o que distribuí foi não só despudorado, pois assim é a qualidade dos releases, quanto sincero, como é da natureza do despudor. Como podem ver nestas linhas:

Amigos, aquilo que há muitos e muitos anos eu sentia por todos os poros e sentidos, aquilo que meu faro pressentia, que a hora de Soledad Barret Viedma se acercava, agora chegou. Em julho, a Boitempo Editorial publica o meu, o nosso livro, “Soledad no Recife”.

Para quem não sabe, Soledad Barret Viedma foi torturada e morta no Recife em 1973, grávida e traída, depois de entregue a Fleury pela marido, o Cabo Anselmo.

Um dos leitores de Soledad no Recife assim se expressou:

“O livro alcança e fere vários tipos de leitores, desde os que já conhecem a história do ‘massacre da chácara São Bento’ até os que a desconheçam totalmente.

É um relato candente, comovido e comovente, construído desde um ponto de vista original, qual seja, o de uma voz narrativa pertencente a quem tenha conhecido os dois protagonistas históricos da trama, Daniel, aliás, Cabo Anselmo (ou será o contrário?), e Soledad, a jovem idealista assassinada, com os demais companheiros. O relato recupera um clima de época através das letras de música com muita habilidade.

É um relato testemunhal, no sentido bíblico da palavra, e ao mesmo tempo confessional. É testemunhal porque visa dar testemunho, contar uma verdade, trazer à luz fato que revela e elucida”.

Portanto, amigos, não foi em vão esperar tanto tempo.

“Sete anos de pastor Jacó servia/ Labão, pai de Raquel, serrana bela;/ Mas não servia ao pai, servia a ela,/ E a ela só por prêmio pretendia....

... Dizendo: - Mais servira, se não fora/ Para tão longo amor tão curta a vida”.

A bela e brava Soledad Barret Viedma volta à vida em julho. Em todas as livrarias.

Pois bem. Nessa linha anterior encerrava o que me parecia uma notícia. Em um contexto de retomada no Brasil da discussão sobre a Anistia, de esclarecimento de crimes encobertos pela ditadura, de descoberta do oculto aos brasileiros, eu julgava e julgo que ... Meus amigos, julgar é livre, mas ver cumprido o julgamento é sonho. No entanto, acreditem e creiam. Fora do Brasil, a notícia despertou o mais vivo entusiasmo no escritor e jornalista Andrés Colmán Gutiérrez. Para quem não sabe, Andrés Colmán é um importante autor paraguaio, que publicou o romance "El último vuelo del pájaro campana", Premio de Narrativa El Lector. Ganhador também do Premio Nacional de Periodismo Santiago Leguizamón (Paraguai, 2000). E para dar uma referência brasileira, ele conquistou o Premio Vladimir Herzog em 1985.

De imediato, ele oferece um aperitivo sobre Soledad no Recife em seu blog . No próximo sábado, ele se estende mais no diário Ultima Hora, de Assunção.

Imagino que esta deve ser também uma boa notícia para os leitores brasileiros.


 Publicado em: 2009-06-19 por admin, última modificação em: 2009-06-19 por admin

 

 

     

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