O censor Gilmar Mendes
Dissemine a carta aberta do jornalista Leandro Fortes e não permita que Gilmar Mendes governe o País com suas atitudes.
Carta aberta aos jornalistas do Brasil
19/03/2009 20:54:59
Leandro Fortes
No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.
Nesta carta, contudo, falo somente por mim.
Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.
Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.
Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.
Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?
Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.
Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.
Leandro Fortes
Jornalista
Brasília, 19 de março de 2009
Foram enviadas cópias desta carta para Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj); Maurício Azedo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e Romário Schettino, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)
(Crédito da foto: José Cruz/ABr)
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*darlan princival* darlanprincival@hotmail.com Inserido em: 2010-06-09 14:41:56
Na oportunidade em que Daniel Dantas foi solto em menos de 48 horas, escrevi ao Sr. Ministro e perguntei a ele porque o dinheiro compra tudo, inclusive a soltura de dantas, se fosse um pobre morreria preso.
Fui informado que ele estava cumprindo a Constituição, nada mais
*Darlan Princival* darlanprincival@hotmail.com Inserido em: 2009-04-23 17:01:32
Sr. Ministro
Deixe a corrupção de lado por tudo que já mostrou a nos brasileiros,fazendo injustiças tais como protegendo Daniel Dantas e agora como bem disse o Ministro Joaquim Barbosa, V.Excelencia está na mídia, fazendo a JUSTIÇA BRASILEIRA SER DESACREDITADA.
Já está na hora de V. Excelencia tomar vergonha na cara e entregar seu posto para moralisar o pouco que resta desse Tribunal.
*Eithel Lobianco Junior* eithellobianco@yaho.com.br Inserido em: 2009-03-23 13:31:29
Caro colega,
Senti-me inspirado a somar contigo neste processo o qual avalia como um ato de obscurantismo.Primeiro, por concordar com a avaliação de obscurantismo e cerceamento da liberdade de imprensa e, segundo, por considerar que tal atitude não corresponde ao exercício livre da imprensa e da democracia; garantidos constitucionalmente .A soberba e arrogâcia daqueles que ocupam o poder pelo tempo limitado dado pela expressão do voto, que poderíamos considerar ocupação legítima se de fato exercecem a representação da vontade do povo, é o que leva o cidadão a duvidar da legitimidade desta representação. A legislação em causa própria é a gênese da condenação da representação democrática.
O que é pior e que nos aproxima ainda mais é que esta atitude é reproduzida nos canais legislativos municipais, quando a programação dos canais oficiais somente responde à vontade daqueles que estão temporariamente na presidência das Casas.O exercício da imprensa legislativa, em todos os níveis, necessita de uma discussão com a sociedade e com o cidadão, para que estes realmente façam parte do poder que lhes é constitucionalmente garantido.
Uma imprensa legislativa pública, soberana e cidadã somente será alcançada com a participação do cidadão que dá o poder da representação àqueles que deveriam exercer o poder em seu nome e em nome da sociedade.A palavra multiplicada já é um início do possível diante do sonho realizável da existência necessária da prática democrática do exercício da cidadania. Não se faz calar àqueles que não devem no exercício da realização da transparência exigida legalmente para o cumprimento de sua função.
O reconhecimento da causa e o apoio pode parecer apenas um ato que se perde nas malhas da rede, mas, é mais um nó que se soma na vontade de deter o que contamina as águas da cidadania.
Eithel Lobianco Junior
jornalista - 3484
*José de SouzaCastro* josedesouzacastro@hotmail.com Inserido em: 2009-03-23 09:24:58
Minha solidariedade a Leandro Fortes. Mas ele perde tempo em esperar solidariedade da Fenaj, uma entidade que há muitos anos não representa mais os jornalistas. Esse Gilmar Mendes, também já o conhecemos bem. Quando pediu a censura ao programa da Câmara dos Deputados e foi prontamente atendida por seu presidente, Gilmar Mendes reforçou o afastamento do Supremo ao cumprimento do papel que lhe foi reservado pelos que fundaram a República, há 120 anos. O Poder Judiciário deveria exercer um papel moderador, substituindo nisso o imperador Pedro II, no embate entre os poderes. É verdade que o Supremo vinha exercendo muito mal esse papel e em nada contribuiu para o avanço democrático do País. Mas a partir de agora, quem esperar dele um mínimo de respeito aos ideais republicanos está perdendo seu tempo.
*Dante* dantepagnoncelli@gmail.com Inserido em: 2009-03-22 09:04:18
Continue falando para que todos possam saber com são os donos do poder. Peçam um entrevista para com ele, ele não gosta de aparecer, ou só em alguns microfones?
*Guilherme Souto* buritizal@gmail.com Inserido em: 2009-03-21 17:23:51
Debitam na conta do atual governo uma suposta criação de um estado policial no país, mas quem tem noção de Brasil sabe que o país nunca deixou de ser autoritário.
A prova, mais uma, é essa!
*Maria* maria@hotmail.com Inserido em: 2009-03-21 17:06:23
O povo brasileiro, que estava finalmente satisfeito com a atuação da Polícia Federal, desde 2002, está vendo as chances de ter alguém para prender colarinhos brancos, graças a um judiciário comprometido e uma imprensa de TV, jornal e revista corruptas...
É triste
*Cris* tamoscomraiva@hotmail.com Inserido em: 2009-03-21 12:32:08
Temos três problemas graves nessa questão:
1- Censura explícita, pura e simplesmente por interesses pessoais de uma figura pública.
2- Submissão do Legislativo ao Judiciário, sem quê nem pra quê.
3- Intimidação que poda o poder investigativo de um bom jornalismo (e que poderia levar a grandes descobertas sobre essa figura pública de tão grande poder...).
O lado bom de tudo isso: ninguém vê a TV Câmara. Com a censura de Mendes, todos verão os vídeos no Youtube. E divulgarão em suas redes e emails. É o famoso tiro que sai pela culatra.
Eis os links:
http://www.youtube.com/watch?v=TCFP6qnjl94&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=DeqYLvIMMd0&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=t9SlDPx3uMI&feature=related
Congressistas tentaram censurar a música "300 picaretas", dos Paralamas do Sucesso, lá pelo início dos anos 90. Não só não conseguiram, como ela virou hit nacional. É o poder do povo.
*Maria Ignes* ignes.alvares@hotmail.com Inserido em: 2009-03-21 09:33:36
Sr. Gilmar Mendes,
Parece que o Sr. se esqueceu que 1964 já passou há muitos anos... Que pretensão a sua.
O Sr. deve dar exemplo à população e tem a obrigação de ser uma pessoa honesta e ética, pelo cargo que ocupa. E não, ficar mamando nas tetas da mãe pátria.
Tome vergonha!
*Elenara Vitoria Cariboni Iabel* eiabel.lelex@gmail.com Inserido em: 2009-03-20 23:13:56
E aqui chegamos ao ponto crucial: estamos face a face com a parede, a trágica barreira que separa a “intelligentsia” progressista das "gentes comuns". A parede já se acha, e quanto mais tentamos afasta-la por meio de explicações, mais batemos com a cabeça de encontro a ela. Não adianta saltar o muro; nossa tarefa é derruba-lo. Enquanto ela estiver de pé, a democracia será em engodo.
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