É claro que não estou falando de guerra. Mesmo porque nosso povo só tem uma a fazer: a guerra implacável contra a corrupção, que nós dizemos vir de cima, mas, se olharmos bem a fundo e com toda sinceridade, ela brota de princípios mal alicerçados que permeiam todo o modo de pensar e agir de muitos de nós, princípios bem resumidos nos já famigerados “jeitinho brasileiro”, “levar vantagem em tudo” ou “você sabe com quem está falando?”.

Muito pelo contrário, estou falando de paz; paz que o Brasil faz existir entre árabes e judeus. Impossível? Não, não. Veja a página E16 do Estadão de 18 de junho: “Árabes e judeus, unidos por uma paixão”. Que paixão é essa? Nada mais, nada menos que o Brasil.

Pois é isso mesmo. Durante o jogo de Brasil e Austrália, além dos 180 milhões de brasileiros, torceu pelo Brasil um grupo formado por israelenses e palestinos que assistiram ao jogo num telão armado – acredite! – “ao lado do muro que Israel constrói sob alegação de querer evitar ataques terroristas, e que os palestinos qualificam de ‘muro do apartheid’”.

E isso não é coisa que embarca na onda do favoritismo da seleção brasileira para esta copa. Já na copa de 2002, ainda segundo o Estadão, “o Exército israelense parou uma ofensiva contra militantes palestinos na Cisjordânia para que tanto os soldados israelenses quanto a população palestina pudessem acompanhar os jogos”. E agora, “quem decretou trégua nos ataques a Israel foi Zacharia Zubeidi, líder da temida facção extremista palestina Brigada dos Mártires de Al-Aqsa”.

Quem dera o mundo parasse de fabricar armas e munições e fabricasse mais bolas de futebol. Para mim, independentemente do resultado dos jogos, o Brasil já ganhou a copa.