Só mesmo a passagem de um milênio para outro nos faz pensar no futuro. Se você medisse a quantidade de tempo que levou em toda a sua vida pensando no futuro e fizesse uma comparação com o tempo que investiu no passado ficaria no mínimo consternado. Também não é pra menos. Desde a escola elementar até a universidade o que mais temos aprendido é saber da história. História disso, história daquilo. Seria insano imaginar uma matéria sob o tema “Futuro do Brasil”, “Perspectivas de futuro para a nova civilização”. Os meios acadêmicos ainda não se desvencilharam das amarras do passado. E você, no seu dia a dia desenfreado, seja na empresa ou no local de trabalho, só tem tempo de pensar naquilo que foi, no que poderia ter sido, o que já era.

Mas nunca é tarde para começar. Essa é a última chance de sua vida. Afinal, vai ser difícil esperar pela próxima virada. Terceiro milênio, século 21, nova década. Sem dúvida um momento de grande significado simbólico e cultural. Por que futuro? Porque o que já passou não tem nenhum potencial sobre as novas possibilidades. O que conta é o novo, o que virá. E o que virá, não está nas mãos dos profetas e videntes. Prepare-se: depende de você e de como se manifestam suas visões de futuro. Só que existe um código de conduta nessa arte de ver mais adiante: não entram o pessimismo e os apocalipses, com todo o respeito às escrituras sagradas. Afinal de contas, de que vale então pensar e criar uma nova condição de vida para essa e as futuras gerações?

Cenários e estratégias
Já que as mudanças são inevitáveis, vamos enfrentá-las, só que em vez de reagirmos a elas num mar revolto e corrermos o risco de morrermos afogados, devemos nos preparar para as possíveis mudanças de rota, através do planejamento a longo prazo. Nesse contexto, tendências, cenários e estratégias são indispensáveis para o exercício do ver adiante. Visões de futuro são bem vindas. Pensando nisso, e para marcar a entrada do terceiro milênio, a ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, e a PERSPEKTIVA, consultoria especializada em tendências, cenários e estratégias, reuniram 83 pessoas, entre elas empresários e executivos, no dia 12 de dezembro de 2000, para darem suas visões sobre o futuro do capitalismo.

Foi o primeiro workshop de uma série denominada VISÃO 21 – Tendências e Cenários da Nova Economia. O objetivo é estimular um pensamento crítico e coletivo, capaz de provocar mudanças para a construção de um futuro ideal para o Brasil. É um espaço do pensamento livre e positivo, uma visão integrada dos paradigmas emergentes, para transformar nossa concepção de governo, educação, empresa, trabalho e sociedade.

O primeiro workshop foi inspirado pelo tema “O Futuro do Capital”. Através da Telemeeting, inovadora tecnologia de interatividade, relevantes lideranças empresariais estiveram refletindo sobre o que o sistema capitalista ainda tem a oferecer para o futuro da sociedade.

Inspiradas por uma apresentação do futurista americano Peter Bishop, Diretor do Centro de Estudos do Futuro da Universidade de Houston, Visões 21 foram reveladas sobre como as forças econômicas de hoje estão traçando a economia de amanhã. Temas correlatos de um novo cenário sócio-econômico estiveram também sendo expostos, com foco na sustentabilidade dos negócios e cidadania empresarial, respectivamente apresentados pelos consultores Sergio Esteves e Livio Giosa.

Profundas reflexões estiveram no palco desse evento, que pretende, a cada ano, trazer temas emergentes que impactem a sociedade como um todo.

Nesse ano o capitalismo esteve em debate, cujos triunfos foram reconhecidos, sob uma perspectiva histórica: a vitória sobre os sistemas feudais das sociedades agrícolas, a economia centralizada do Comunismo e os mercados fechados. São também inegáveis os avanços tecnológicos, a melhoria do padrão de vida na civilização humana. Mas será que o capitalismo é a esperança para o futuro do planeta? Ele será capaz de beneficiar toda a população mundial a tempo? Ele poderá alcançar a sustentabilidade econômica e ambiental que o planeta está necessitando? Essas são importantes questões, que nós precisamos exercitar constantemente na entrada desse novo século, através do pensamento coletivo e da força criativa, gerando um futuro melhor para toda a sociedade.

Já está comprovado: a criação do futuro depende da ação humana. Através do exercício da positividade e do pensamento coletivo, geram-se motivos para a ação e para a transformação de sistemas que já não funcionam mais. É assim que tudo se processa: olhamos para as nossas próprias preocupações e quando é clara a evidência, fazemos de tudo para transformá-las. E não tem nada mais importante do que esse tipo de reflexão para criarmos motivação. A sociedade é profundamente afetada por uma série de discursos dominantes que condicionam a estruturação, emolduram as questões e os desafios atuais. Por exemplo, um dos discursos dominantes é o da economia, dos prós e contras da globalização. Esses discursos pressupõem um crescimento econômico sem limites, e também, um futuro obscuro. A ordem é comprar, consumir, usar, quanto mais melhor.

E o depois? E as conseqüências? E o futuro?
O futurista Peter Bishop afirma: “não podemos perder o controle”. Para ele, a questão fundamental é se o excesso de capital é administrado como um meio ou é utilizado como um fim. São dois cenários possíveis: num deles, o do capitalismo puro em que o capital é utilizado como um fim: quanto mais dinheiro e poder, melhor. No outro cenário, dinheiro e poder serão meios para o desenvolvimento social e para a preservação do planeta.